Bruno alega ‘intransigência’ de Cartaxo e decide deixar a Secretaria de Turismo de JP

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    O vereador Bruno Farias (PPS) oficializou no final da tarde desta sexta-feira (15) sua saída da Secretaria de Turismo da Capital. Em carta aberta dirigida ao “povo de João Pessoa”, o parlamentar deixa claro seu descontentamento com prefeito Luciano Cartaxo (PT).

    Nos bastidores da política, a saída de Bruno Farias da Setur já era tida como certa. Nos últimos dias, ele chegou a utilizar a imprensa para criticar o prefeito Luciano Cartaxo por ter cortado drasticamente o orçamento da secretaria.

    “Recebi, em reunião com o Comitê Gestor nomeado pelo Prefeito Luciano Cartaxo, a malsinada notícia de que o custeio da Setur seria reduzido para R$ 59.561,00, sendo vedada a participação em feiras, simpósios e congressos, bem como proibida a celebração de parcerias com as entidades do trade, seja para a capacitação de profissionais, seja para a divulgação do destino, seja para a captação de eventos para a nossa cidade”, explica Bruno, na carta.

    “A verdade é que a notícia do contingenciamento orçamentário soou como uma bomba, concorrendo para a implosão de todo o planejamento que havíamos feito no fim do ano passado, com base no orçamento aprovado pela Câmara Municipal de João Pessoa e sancionado pelo Prefeito Luciano Cartaxo”, completa o vereador que retornará à Câmara.

    “De acordo com a LOA, só de custeio o nosso orçamento estava estabelecido no patamar de R$ 2.130.00,00 (dois milhões, cento e trinta mil reais). Ora, como aceitar que o custeio de um órgão da prefeitura, que estava previsto pela LOA para pouco mais de 2 milhões de reais, venha a sofrer reduções tão drásticas ao ponto de chegar a menos de 60 mil reais?”, acrescenta.

    “Não concordei e continuo a discordar com um orçamento tão pífio, que em nada corresponde à importância da indústria do turismo na economia local, que representa parcela importante do nosso PIB, que aumenta vertiginosamente a sua participação nas receitas do Tesouro Público Municipal através da arrecadação de ISS, e que é responsável, ao lado da Construção Civil, pela oferta do maior número de postos de trabalho em nossa Capital”, observa.

    Para Bruno, o prefeito Luciano Cartaxo agiu de forma intransigente. “Diante, pois, da intransigência do Prefeito Luciano Cartaxo em rever o orçamento minguado da Setur, em conversa mantida com ele, na tarde da sexta-feira, dia 15/05/2015, coloquei o meu cargo à disposição, para, agora, no Poder Legislativo, ser porta-voz do trade turístico e lutar pela honradez nos investimentos em nosso Turismo”.

    Confira abaixo à integra da carta:

    CARTA ABERTA AO POVO DE JOÃO PESSOA

    Aprendi com os meus pais que saber sair de cena é uma arte tão importante quanto saber entrar. E, analisando com prudência todo o cenário que envolve a Setur e o profundo corte orçamentário que a Secretaria sofreu, concluo que chegou o instante da despedida.

    Eu não poderia, contudo, despedir-me da Setur, sem os registros de agradecimento.

    Santo Ambrósio de Milão nos ensina que “o primeiro dever do homem é a gratidão”.

    Inicio, pois, agradecendo ao Prefeito Luciano Cartaxo pela oportunidade que ele me ofereceu de estar à frente de uma pasta cujos desafios são imensos, mas que, ao mesmo tempo, nos cativa, nos apaixona e nos impulsiona a trabalhar cada vez mais.

    O Turismo é, de fato, um segmento apaixonante, que nos envolve de tal maneira a ponto de nos transformar em embaixadores permanentes de nossa cidade e em cidadãos ainda mais comprometidos com a qualidade de vida das pessoas.

    Ao longo desses 12 meses, o trabalho na Setur foi incansável. Os números e fatos por si só comprovam a gestão de uma secretária eficiente.

    Desde que assumi a Secretaria Municipal de Turismo, graças à competência, à unidade e à doação de um corpo técnico muito qualificado, obtivemos dados, estatísticas, desempenhos e ações que atestam o empenho de nossa equipe em divulgar João Pessoa como destino turístico aos quatro cantos do mundo.

    João Pessoa nunca viveu um momento tão especial no turismo durante toda a sua História. Essa realidade é tão insofismável que nunca presenciamos uma baixa estação tão movimentada como a do presente ano. Aliás, os efeitos nefastos da baixa estação têm sido praticamente anulados, em razão de iniciativas conjuntas do Estado, do Município e do Trade na promoção da cidade e no apoio logístico e financeiro na prospecção do turismo de eventos e de negócios, de modo que, em todos os meses do ano, temos registrado uma presença muito robusta de visitantes e turistas em nossos pontos turísticos e uma ocupação muito elevada nos leitos de nossos meios de hospedagem.

    Segundo dados da ABIH-PB, por exemplo, no feriado de 1º de maio, tivemos 95% da rede hoteleira ocupada. Já a Agência ViajaNet, divulgou pesquisa em que João Pessoa foi a 10ª cidade brasileira mais procurada pelos brasileiros que viajaram de avião no último Dia das Mães.

    Diante de números tão satisfatórios, posso afirmar categoricamente que, na capital paraibana, não temos mais baixa estação, pois, praticamente, durante todos os 365 dias do ano, temos batido recordes atrás de recordes no que tange à ocupação de nossa rede hoteleira.

    Ainda durante os 12 meses de gestão à frente da Setur, comemoramos o desempenho favorável de nossa cidade que foi considerada, pelo Site Mundi, o maior comprador de passagens aéreas e de diárias de hotéis do País, como o 5º destino mais procurado do Brasil no verão 2014/2015.

    Ao longo de nossa gestão, a cidade de João Pessoa, no Ranking do Ministério do Turismo dos 65 destinos indutores do País, através de estudos divulgados pela FGV, saltou da 14ª para a 13ª colocação, melhorando a sua posição e se inserindo num dos destinos mais procurados e preparados do Brasil.

    Pela Revista Viagens e Turismo da Editora Abril, fomos considerada a orla urbana mais bonita do Nordeste, não apenas em razão das belezas naturais, mas da infraestrutura e dos serviços colocados à disposição da população.

    Nessa breve passagem pela Setur, celebramos ainda o fato de João Pessoa, segundo dados da Embratur, ter se consolidado como a 9ª cidade brasileira que mais sedia eventos internacionais, dentro dos critérios da International Congress and Convention Association (ICCA).

    No Aeroporto Castro Pinto, segundo informações da Infraero, nos quatro primeiros meses de 2015, tivemos um aumento de 18,31% no fluxo de passageiros, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

    Vê-se, pois, que todos os indicativos são favoráveis e crescentes, revelando que o Turismo em nossa cidade está em franca expansão, experimentando uma fase de progresso e ascensão em contraposição ao que ocorre no restante do País.

    Agora, todos esses números, todas essas conquistas, foram fruto do planejamento, investimento e execução de um cronograma de trabalho feito a quatro mãos.

    A união cooperou para que todos pudessem, por exemplo, investir num programa ousado de capacitação com as operadoras e os agentes de viagem de todas as regiões do País. A união cooperou para que todos aplicassem recursos no apoio e incentivo à captação de eventos, bem como na luta incessante de promoção e divulgação do destino.

    A união de propósitos e de ações cooperou para que, nos últimos doze meses, vivêssemos uma relação de absoluta harmonia e sintonia administrativa entre a Setur, a PBTUR, a Embratur e o Ministério do Turismo, que juntos formataram uma aliança firme e coesa com todo o trade turístico paraibano.

    Parceria, solidariedade e investimento, este foi o trinômio em que se sustentou a nossa gestão à frente da Setur.

    Infelizmente, no dia 15/04/2015, recebi, em reunião com o Comitê Gestor nomeado pelo Prefeito Luciano Cartaxo, a malsinada notícia de que o custeio da Setur seria reduzido para R$ 59.561,00, sendo vedada a participação em feiras, simpósios e congressos, bem como proibida a celebração de parcerias com as entidades do trade, seja para a capacitação de profissionais, seja para a divulgação do destino, seja para a captação de eventos para a nossa cidade.

    A verdade é que a notícia do contingenciamento orçamentário soou como uma bomba, concorrendo para a implosão de todo o planejamento que havíamos feito no fim do ano passado, com base no orçamento aprovado pela Câmara Municipal de João Pessoa e sancionado pelo Prefeito Luciano Cartaxo.

    De acordo com a LOA, só de custeio o nosso orçamento estava estabelecido no patamar de R$ 2.130.00,00 (dois milhões, cento e trinta mil reais).

    Ora, como aceitar que o custeio de um órgão da prefeitura, que estava previsto pela LOA para pouco mais de 2 milhões de reais, venha a sofrer reduções tão drásticas ao ponto de chegar a menos de 60 mil reais?

    Não concordei e continuo a discordar com um orçamento tão pífio, que em nada corresponde à importância da indústria do turismo na economia local, que representa parcela importante do nosso PIB, que aumenta vertiginosamente a sua participação nas receitas do Tesouro Público Municipal através da arrecadação de ISS, e que é responsável, ao lado da Construção Civil, pela oferta do maior número de postos de trabalho em nossa Capital.

    O Turismo é uma atividade econômica tão pujante que a sua cadeia produtiva envolve diretamente 52 outras atividades econômicas, e, a meu sentir, num momento de recessão, apresenta-se como uma das alternativas mais viáveis para fazer os recursos circularem, aquecendo o mercado interno, estimulando o consumo e fomentando a geração de emprego e renda.

    Como, então, desenvolver um trabalho sério, honesto, comprometido, responsável e digno com uma realidade orçamentária tão raquítica? Como participar dos eventos nacionais e internacionais de turismo, em que todas – eu disse todas – as médias e grandes cidades brasileiras participam, tendo um orçamento tão pequeno? Como celebrar, com um arremedo de orçamento, parcerias com a ABIH, a ABRASEL, a ABRAJET, o SINGTUR, a APETEP, a COOPERBUGGY, a COOPERMIX e o Sindicato de Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares, em ações de promoção do destino e de capacitação com profissionais do turismo, tal como fora feito ano passado, com o treinamento de milhares de agentes e operadores de outras regiões do País, para que possam vender a nossa Cidade como destino turístico?

    Como desenvolver ações conjuntas com o Convention Bureau, tal qual fizemos ano passado, para a captarmos eventos nacionais e internacionais para João Pessoa, sem que tenhamos condições de injetar minimamente recursos do orçamento? Como conseguirmos mídia gratuita de nossa cidade, tal qual fizemos ano passado, com a Revista de Bordo da Avianca, com a matéria na Revista Viagens e Turismo, com a matéria na Revista Mergulho ou com o filme sobre a cidade de João Pessoa no TAM NAS NUVENS, sem participarmos de reuniões e fóruns em que o network e as relações interpessoais são a pedra fundamental para que esse tipo de promoção se estabeleça?

    Enfim, um orçamento de apenas R$ 59.561,00 para todo o resto do ano, dos quais R$ 44.163,00 (R$ 4.907,00 por mês) são destinados ao aluguel do imóvel em que a Setur está localizada, não é justo para com os empresários da indústria do turismo, para com os trabalhadores dessa indústria, para com as entidades que formam o Trade, para com os professores do Curso de Turismo, os alunos dos cursos de Turismo e para com a população em geral.

    Portanto, nesse ponto especifico de desenvolvimento das políticas públicas de Turismo, comungo de visões e conceitos distintos do Prefeito Luciano Cartaxo, não sendo coerente a minha permanência na sua equipe de auxiliares, já que entendo que aplicar recursos públicos na atividade turística, no momento de recessão econômica, não é despesa, mas, sim, investimento com retorno garantido.

    Diante, pois, da intransigência do Prefeito Luciano Cartaxo em rever o orçamento minguado da Setur, em conversa mantida com ele, na tarde da sexta-feira, dia 15/05/2015, coloquei o meu cargo à disposição, para, agora, no Poder Legislativo, ser porta-voz do trade turístico e lutar pela honradez nos investimentos em nosso Turismo.

    Agradeço sensibilizado às inúmeras manifestações de apoio e solidariedade que recebi de todo o trade e de toda a sociedade, nessa luta em favor da dignidade do turismo pessoense.

    Confesso que fica uma ponta de tristeza pelo fato de não executar o cronograma de trabalho que planejamos no ano passado para ser colocado em prática até o fim de 2015. Mas saio com sentimento de dever cumprido, pois os números não mentem e traduzem, como dito acima, a fase áurea que vive o turismo de João Pessoa.

    Em anexo a esta Carta, segue, de modo didático, um conjunto de ações que desenvolvemos nessa rápida passagem pela Setur e que contribuiu para os resultados positivos obtidos pelas pesquisas, pelos dados econômicos e pelos estudos. Em todos os aspectos, avançamos nesse período.

    Uma pena que as ações na área do Turismo não se exponham em obras de pedra e cal, não estando à vista da população. As ações, na seara do turismo, embora não tenham corpo físico, detêm alma, e foi com o orgulho de ter uma alma pessoense que desenvolvemos todas as nossas iniciativas que seguem em anexo.

    Desde a participação em feiras, passando pela ação conjunta com Ministério Público do Trabalho na fiscalização dos meios de hospedagem em combate à Exploração Sexual e Infantil de Crianças e Adolescentes, passando pela disciplina com a Capitania dos Portos dos embarques e desembarques para Picãozinho e piscinas naturais do Seixas, passando pelas capacitações oferecidas, passando pela captação de eventos para a cidade, passando pela qualificação dos trabalhadores, bem como pelo apoio nas ações do Trade, em tudo, absolutamente tudo, a alma pessoense esteve presente e os resultados, como já exposto pelos números apresentados, foram muito positivos.

    Saio da Setur e retorno à CMJP com o mesmo espírito de servir e a mesma disposição para o trabalho, pois seja no Executivo, seja no Legislativo, seja em qualquer outra missão que Deus me reservar, estarei, com disciplina, sensibilidade e senso de responsabilidade, dando o máximo de mim para construir uma cidade melhor e uma sociedade mais justa, onde o bem-estar das pessoas seja a meta a ser perseguida, onde a fraternidade seja o objetivo a ser alcançado e onde a elevação da qualidade de vida seja o sonho a ser realizado.

    Cordialmente,

    BRUNO FARIAS DE PAIVA

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