Bienal da UNE faz primeiro encontro LGBT, no Rio de Janeiro

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    Garantia de direitos e trajetórias, acesso ao mercado de trabalho e ao mundo acadêmico foram os temas que pautaram o primeiro encontro LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgêneros) da história da União Nacional dos Estudantes (UNE) nesta quinta-feira (5), na 9ª Bienal, no Rio de Janeiro. Centenas de pessoas participaram dos debates sobre o tema na Fundição Progresso, no centro, no quinto dia do evento.

    Um dos debatedores, o escritor João W. Neri, autor do livro Viagem Solitária – Memórias de um Transexual 30 Anos Depois, foi muito aplaudido ao falar da invisibilidade dos transexuais e travestis e das barreiras, muitas vezes intransponíveis, desse público para conseguir direitos básicos.

    “Que escola acolhe um trans? Não há banheiro para trans, não há emprego para trans. Não existem abrigos específicos para os trans. Que trans vai querer ir para um abrigo masculino, para ser violentado, escorraçado? A identidade não define uma pessoa, mas quando lutamos por direitos é preciso que se reafirme essa identidade”, disse.

    A representante da Marcha Mundial de Mulheres, Célia Alldridge, abordou a realidade das mulheres no mercado de trabalho e a dificuldade da população LGBT de se inserir nesse mercado. “Quem não tem um perfil que se enquadre nos padrões heteronormativos sofre ainda mais”, destacou. “E quando conseguem um emprego, vemos muitos casos em que essas pessoas acabam não falando de suas companheiras ou companheiros, do que fizeram na noite passada, da vida pessoal para se preservarem. É uma autoexclusão, pois até chegar lá, passaram por muita discriminação”, declarou Célia.

    Dentre as políticas públicas defendidas no encontro, foram abordadas a criação de cotas para transexuais nas universidades e a obrigatoriedade da cadeira de gênero e sexualidade nas universidades, bem como de cursos de capacitação para professores e funcionários nas escolas públicas sobre transexualidade e homossexualidade para evitar bullyings e preconceitos.

    Os debatedores, em vários momentos, defenderam o Projeto de Lei 5002/13, que leva o nome de João Neri, criado pela deputada federal Erika Kokay (PT) e pelo deputado federal Jean Willis (PSOL), e que tramita no Congresso.

    “Em suma, [o projeto] diz que um trans pode ir ao cartório e mudar seu prenome e gênero sem necessidade de cirurgia, de hormonização, laudo psiquiátrico, sem perder o direito ao SUS [Sistema Único de Saúde] e despatologiza a transexualidade. A definição de homem e mulher é uma convenção social. Você tem o direito de ser quem quiser”, disse o escritor.

    De acordo com a diretora LGBT da UNE, a estudante Larissa Passos, ao fim do encontro será redigida uma carta com orientações ao governo para garantir mais direitos ao grupo LGBT.

    “Este encontro é muito representativo, pois muitos desses estudantes [LGBT] não estão dentro das escolas e das universidades por conta das opressões”, ressaltou. “Este é um espaço que propõe debater uma cultura política que rompa com essa velha cultura que nos oprime e mata diariamente”.

    Larissa explicou que a carta também fará críticas ao Exército Brasileiro por ter emitido nota contra a criminalização da homofobia.

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