Azulejos de casarões históricos da Capital serão catalogados pelo Cearte

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    O Centro Estadual de Artes (Cearte) pretende fazer um catálogo dos azulejos encontrados em casarões, igrejas e praças de João Pessoa. O projeto é realizado pela professora de desenho artístico, Consolação Policarpo, no Curso de Desenho. A ideia é que, após o levantamento, seja publicado um catálogo. Apesar de utilizada, a princípio, como material pedagógico e motivo para desenho e pintura, a proposta evoluiu e os azulejos viraram um projeto independente.

    Consolação explica que tudo começou quase por acaso. “As aulas de desenho não acontecem só aqui, a gente anda muito com aulas extraclasses. Numa das visitas ao Centro Cultural São Francisco, descobrimos os azulejos”, lembra.

    O levantamento já conta com mais de 50 peças catalogadas e documentadas, daí a necessidade de formatar a pesquisa no catálogo. Consolação diz que na Paraíba não encontrou nenhum levantamento do trabalho de azulejaria, como existe em outros estados, a exemplo do Maranhão, apenas artistas individuais e professores da universidade pesquisam a área por conta própria. “Nunca foi feito um trabalho pedagógico, de escola”, ressalta.

    O mapeamento dos azulejos é feito com visitas dos alunos aos locais onde as peças são fotografadas e descritas formas e cores. Os azulejos catalogados pelo grupo estão normalmente em residências, igrejas, praças e chafarizes. São todos de João Pessoa. “Fazemos um levantamento da localização, procedência, de qual período ele é, se é figurativo, abstrato. Registramos uma espécie de carteira de identidade dos azulejos”, explica.

    Trabalho artístico – Além do levantamento, os alunos também trabalham artisticamente o produto em desenhos, em vários tamanhos e técnicas, às vezes propondo uma releitura ou buscando manter o formato original, só inovando no tipo de material para replicar a peça. “Depois de catalogado, alguns alunos querem fazer uma releitura do trabalho, abstrair o formato. Outros preferem não fazer interferência. O que vai diferenciar é a base na qual é trabalhada a peça”, esclarece Consolação.

    Parte dos trabalhos confeccionados pelos alunos é vendida, com a verba revertida para compra de mais material para o curso. “Vários alunos já passaram por esse projeto, o material já foi produzido em papel e em tela. Agora estamos produzindo bolsas em tecido com o motivo em azulejo”, adianta.

    O curso de desenho – Nas aulas, os alunos trabalham diversos conteúdos. “Começamos com as formas, elementos visuais, a linha, as texturas. Formas de preenchimento e materiais, que também são importantes no curso de desenho, interferem no resultado. O aluno conhece os materiais utilizados para o desenho, como o hidrocor, o giz de cera, lápis de cor, as possibilidades do grafite. Também conhece os suportes e as técnicas, além de um pouquinho de história da arte”, informa Consolação.

    Outro tema estudado, também presente nos azulejos, é a simetria. “Tem muitos azulejos que são simétricos, o que você está vendo de um lado, vê do outro. É uma repetição padronizada, então o aluno precisa conhecer isso se ele quiser partir para um trabalho abstrato. Ele tem que conhecer simetria, assimetria, perspectiva, formas de sombreamento, luz, sombra. São inúmeros conteúdos”, pontua.

    Consolação explica ainda que cada aluno desenvolve um projeto próprio. “Muitos deles já vêm com uma ideia pronta, aqui a gente só faz aprimorar. Nós trabalhamos o traço, o estilo, se o projeto que ele está pensando é em tela, qual o suporte que ele quer, se é em papel. Se ele gosta mais de trabalhar o figurativo ou o abstrato”, revela.

    As aulas acontecem no Cearte, na Avenida General Osório, no casarão do Mosteiro de São Bento, prédio tombado pelo patrimônio histórico. O ambiente e a arquitetura em torno tornam propícia a inspiração artística. Não é incomum ver os alunos sentados em banquinhos, de caderno e prancheta em mãos, traçando as ruas de paralelepípedos do Centro Histórico com seus sobrados, praças, casarios coloniais e igrejas seculares.

     

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