Audiência pública na Assembleia Legislativa debate poluição do Rio Gramame, na Capital

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    A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) promoveu uma Audiência Pública da Frente Parlamentar Ambientalista, com o objetivo de debater a situação do Rio Gramame. O evento ocorreu no plenário José Mariz e contou com a presença de moradores das proximidades do rio, ativistas ambientais e representantes dos povos indígenas.

    A deputada Estela Bezerra, presidente da Frente Ambientalista, comentou que a discussão do assunto na Casa de Epitácio Pessoa foi pautada pelos próprios cidadãos que acompanham de perto a situação do rio. “O rio gramame banha 7 municípios, e é o principal reservatório de água da Grande João Pessoa, mas tá ameaçado por contágio químico”, ressaltou.

    Ainda segundo a deputada, o Rio Gramame sofre contaminação de iodo por conta das plantações de cana-de-açúcar, além da ligação irregular de uma fábrica têxtil e o assoreamento causado pela retirada de areia para a construção civil.

    Ivanildo Santana Duarte, representante da Escola Viva Olho do Tempo, que promove o projeto Ocupe o Rio Gramame para sensibilização e conscientização ambiental, fez um breve relato sobre a situação do rio, de poluição, assoreamento e a navegação comprometida. Além disso, apresentou propostas para a revitalização do rio, dentre elas um programa de requalificação ambiental na Bacia do Gramame, além de capacitar a comunidade sobre o descarte do lixo e desassoreamento dos rios.

    Já o procurador federal José Godoy, salientou a importância de debater assunto tão importante e disse ainda que um estudo da Universidade Federal Paraíba revela que atualmente no rio encontra-se alto índice de coliformes fecais e 20 metais pesados acima dos índices permitidos. “Não adianta pensar que esse rio é eterno e nunca passará por problemas. Esse pensamento equivocado tem que ser derrubado”, afirmou.

    O procurador também avalia que existem vários exemplos de rios recuperados e a população precisa se espelhar nestes casos para buscar soluções que visem a revitalização deste curso d’água.

    O professor da Universidade Federal da Paraíba, Tarcísio Cordeiro, do Departamento de Sistemática e Ecologia, revelou que o impacto que a poluição representa no Rio Gramame é gigantesco. “Aquela água em verde esmeralda sumiu. Muitas pessoas foram prejudicadas por não poder utilizar o rio para subsistência na pesca do peixe e camarão”, explicou.

    Tarcísio Cordeiro lembrou ainda que as pessoas que praticaram ou praticam a poluição do rio devem ser identificadas e punidas, além da necessidade de fazer um código do meio ambiente estadual.

    Participaram também da audiência, a secretária de Meio Ambiente da Prefeitura de João Pessoa, Daniela Bandeira, representantes da Secretaria de Meio Ambiente do Estado, da Universidade Estadual da Paraíba, da Associação dos Amigos da Natureza.

    A audiência contou ainda com as apresentações do cantor Milton Dornellas e da cantora Eleonora Falcone, que foram acompanhados pelos alunos da Escola Olho Vivo do Tempo e as meninas cantoras do Vale do Gramame.

    O Rio Gramame nasce na região do Oratório, em Pedras de Fogo, e deságua no mar na Barra Gramame, limite entre João Pessoa e o Conde. Ele tem tem 54,3 km de extensão e banha, além da Capital, as cidades de Alhandra, Conde, Cruz do Espírito Santo, Santa Rita, São Miguel de Taipu e Pedras de Fogo.

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