Artesãs transformam materiais de pesca em acessórios fashion

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    Moda atrelada a um projeto social que modifica vidas. Quem poderia dizer que com linhas de pesca, fios de cobre e escamas de peixes poderiam se produzir biojoias, que comporiam desfile de moda do maior evento da América Latina neste segmento? Criativas, as mulheres da comunidade da Penha, em João Pessoa, desenvolvem estas peças e já planejam produzir artigos de decoração até o segundo semestre de 2015.

    Estamos falando do Sereias da Penha, projeto que nasceu numa comunidade praieira, com vocação para pescaria. As mulheres de lá se reuniram em uma associação do bairro e a princípio, usavam apenas a criatividade e a intuição para moldar o que podemos chamar de arte. Ao todo, são 17 artesãs que integram o grupo, que logo depois, conquistou apoio do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), Sebrae e da Prefeitura de João Pessoa para capacitação e visibilidade do que era produzido.

     

    E mudou vidas. As artesãs, que antes viviam reclusas, ganharam companheiras, revigoraram sua autoestima e ainda conseguem ter renda própria. E o melhor: ganhar reconhecimento pelo trabalho. É o que relata uma das artesãs, a sereia Dorinha. “É inacreditável. Tive que me beliscar para ter certeza de que não estava sonhando”, afirmou.

    Com este apoio, elas conseguiram ter orientação durante quatro meses do estilista Ronaldo Fraga. “Tenho um apego muito forte pela Paraíba e trabalhar com a produção local de um Estado solar como a Paraíba para mim foi fascinante”, afirmou ele.

    Ele lapidou o talento que as sereias já tinham. Criaram peças inovadoras, como bolsas, colares e pulseiras, que contemplam as raízes locais e que têm um forte apelo para o mercado. “Nem todo o projeto de capacitação que participo eu levo para o desfile. Isso é uma escolha minha. Estou levando porque eu acho que o trabalho merece que se jogue luz sobre ele e também como uma forma de premiar toda a dedicação desse grupo que se desdobrou e que tem buscado transformar a realidade econômica através de um ofício feito de forma muito amorosa”, destacou o estilista Ronaldo Fraga.

    E todos os holofotes do São Paulo Fashion Week 2015 estiveram nas peças das sereias na última semana. Foram exibidas peças inéditas produzidas com escama de peixe, fios de cobre, pérola e crochê.

    Assistir ao desfile, mesmo que de longe, arrancou lágrimas da comunidade. Esta emoção, a artesã Sebastiana Pereira soube definir bem. “Foi como ver a nossa comunidade inteira lá, sendo mostrada para o mundo. Meu coração está saindo pela boca. Imagino como minhas colegas ficaram no momento do desfile, que não pude ir por medo de avião. Mas, é muito bom ver o nosso trabalho sendo reconhecido assim e é uma alegria poder ver isso”, disse.

    Vendo as peças que confeccionou ganhando as passarelas, a sereia Sebastiana não se conteve. “Esse colar deu muito trabalho”, cochichou Sebastiana. “Aquele cinto ali fui eu que fiz”, contou a também sereia, Maria da Paz em tom de orgulho.

    “Vi minhas peças e é difícil de acreditar. Quando a gente está trabalhando, produzindo, não imagina que isso chega tão longe. Agora eu sinto que é tudo de verdade”, afirmou a artesã, que também disse ter encontrado uma profissão. “Eu era dona de casa, mas descobri que sou capaz de fazer muito mais”.

    Com informações do Hiperativo Cultural

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