Após descaso da PMJP, CRM deve decidir nesta sexta se interdita o Trauminha

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O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) deve, até esta sexta-feira (27), decidir se vai interditar parcialmente o Ortotrauma de Mangabeira, mais conhecido como Trauminha.

De acordo com o diretor de Fiscalização do CRM-PB João Alberto Morais, em entrevista ao Paraíba Já, a medida atende ao prazo que foi concedido à Prefeitura de João Pessoa, para apresentar melhorias à entidade, após a última fiscalização realizada no hospital, no dia 04 de abril. O prazo, que inicialmente foi de 30 dias, foi prorrogado até hoje, durante uma reunião realizada na segunda-feira (16) passada, entre diretores do CRM-PB, prefeito Luciano Cartaxo (PSD) e o atual secretário de Saúde de João Pessoa, Adalberto Fulgêncio.

Como não houve resposta da PMJP, o CRM decidirá em quais setores do Trauminha será feita a interdição ética parcial. Este tipo de interdição não fechará o hospital em sua totalidade, apenas impede que médicos exerçam suas atividades em alguns setores.

Diversas irregularidades foram encontradas na última fiscalização do CRM-PB no Trauminha, dentre falta de medicamentos para tratamento de infecções bacterianas, falta de roupa hospitalar, falta de higiene, insuficiência de equipamentos, superlotação de pacientes e problemas estruturais, como fissuras em paredes, banheiros sem portas.

Relatório é prova inconteste do caos

Gerido pela Prefeitura de Municipal de João Pessoa (PMJP), o Ortotrauma de Mangabeira – Trauminha – passa por uma das maiores crises de atendimento de sua história. É o que constatou o Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), após a última fiscalização no local, ocorrida no último dia 4.

No dia 12 de abril, o Paraíba Já teve acesso, com exclusividade, ao relatório elaborado pelo CRM, apontando diversas irregularidades colocam a vida de pacientes em risco. Entre outras irregularidades, o relatório mostra que vários pacientes que chegam ao Trauminha são atendidos na sala de sutura, devido a superlotação da sala de emergência e urgência.

De acordo com o relatório, o atendimento na sala de sutura traz riscos a todos os pacientes internados no setor. No dia da fiscalização, haviam 12 pacientes na emergência, sendo que a capacidade é para apenas sete. Com a superlotação, não tinha equipamentos para suprir a demanda. “Constatamos cinco monitores, sendo que um deles não era multiparâmetro, oito respiradores artificiais, dezessete bombas de infusão, um oxímetro, um cardioversor (que não funciona por falta de tomada elétrica no ambiente, e uma máquina para hemodiálise, cujo serviço é terceirizado. O risco de infecção cruzada é muito elevado, e grande parte dos pacientes estão internados no setor, porém sem nenhum cuidado preventivo pela falta de monitorização adequada. Segundo informações, algumas vezes o médico plantonista fica em situação muito constrangedora tendo que optar por escolher quem tratar por falta de equipamentos em número proporcional de pacientes internados”.

A fiscalização do CRM constatou, ainda, paredes com infiltrações e contaminadas por fungos; banheiros de enfermarias sem descarga, propiciando a circulação de coliformes fecais e a infecção de pacientes internos; e coletores de urina sem tampas sendo transportados pelos corredores do hospital.

Além da precariedade na estrutura física do Trauminha, a fiscalização do CRM constatou outro dado preocupante: a quantidade insuficiente de medicamentos para o tratamento de infecções bacterianas.

O CRM chegou a estipular um prazo de 30 dias, sob pena de interdição, para que o prefeito Luciano Cartaxo (PSD) e o secretário municipal de Saúde, Adalberto Fulgêncio, façam as correções sugeridas pelo relatório que foi encaminhado ao Ministério Público Estadual da Paraíba (MPPB).

Roupas insuficientes

Mas não é só isso. De acordo com o relatório, “a quantidade de roupa hospitalar é insuficiente, chegando a situação crítica” em que cirurgias foram suspensas por falta de roupas no bloco cirúrgico. Só para se ter noção, no bloco da ortopedia do Ortotrauma, haviam apenas três roupas disponíveis e que se fossem utilizadas, “cirurgias seguintes iriam ser suspensas”.

Durante a fiscalização, se descobriu que, além da quantidade insuficiente de roupas hospitalares, as que existem são lavadas no Hospital Santa Izabel. Mais: vários leitos estavam forrados com roupas trazidas pelos pacientes e que há informações de que “alguns pacientes não tomaram banho para evitar que as roupas fossem molhadas e o paciente tivesse que permanecer no colchão sem lençol”.

Limpeza feita por acompanhantes

A via crucis se estende, inclusive, para os acompanhantes dos pacientes internos. O relatório traz informações de que eles fazem “a limpeza do piso de uma das enfermarias” do hospital.

Além disso, também foram encontradas “lixeiras sem tampa nos locais de atendimento, lixeiras sendo utilizadas para receber água proveniente dos aparelhos de ar condicionado nos consultórios, sala de urgência e enfermarias.

Clique aqui e leia o relatório do CRM na íntegra.

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