Fora Dilma: com apoio de partidos de direita, movimentos voltam às ruas neste domingo

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    O Brasil volta às ruas, neste domingo (16), para mais uma série de protestos e mobilizações contra o governo Dilma Rousseff convocadas pelas redes sociais. A expectativa é que os protestos, que serão iniciados por volta das 8h, ocorram em aproximadamente 270 cidades brasileiras e estrangeiras.

    Entretanto, apesar de uma maior organização em comparação com os dois primeiros protestos realizados contra o governo federal no início de ano (março e abril), os articuladores ainda demonstram interesses difusos, formas de lutas distintas ou até mesmo reivindicações díspares.

    O movimento considerado mais radical entre aqueles que lideram os protestos é o Revoltados Online. Idealizado pelo paulista Marcello Cristiano Reis, seus militantes afirmam que a luta contra o governo federal é uma disputa entre “o bem” e “o mal”. Fazem parte da corrente do bem os integrantes do Revoltados Online e pessoas alinhadas aos chamados partidos de direita, como o PSDB e o DEM. Os integrantes do “lado negro da força” são os militantes petistas ou pessoas ligadas aos partidos de esquerda.

    Em novembro do ano passado, por exemplo, Marcello Reis alega ter gasto cerca de R$ 40 mil em atos contra Dilma sem ajuda de partidos políticos. O grupo luta explicitamente pelo impeachment da presidente da república, embora não defenda um intervencionismo militar. A comunidade Revoltados Online já recebeu 933 mil curtidas no Facebook.

    “Não tem essa de radicalismo porque não nos utilizamos de violência [física]. Nós apenas cobramos o nosso direito. Temos deveres a cumprir e estamos cobrando apenas os nossos direitos. Apenas aquilo que está dentro da lei”, disse Reis. “Eu não simpatizo muito com a cor vermelha, não me veste bem. Meu sangue é roxo. Melhor, acho que tenho sangue azul. Original”, brincou Reis.

    Ele afirma que atualmente está sem emprego após ser demitido, no ano passado, de uma empresa de comunicação por ter sido acusado pelo deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) de integrar um grupo neonazista. Atualmente, Marcelo diz que está “1000%” dedicado ao grupo “Revoltados Online”. Ele também pensa em instituir uma fundação homônima para captar recursos para a sobrevivência do grupo e de sua própria vida. “Estou vivendo até o momento da rescisão de contrato do meu antigo emprego”, disse.

    Brasil Livre

    Já o Movimento Brasil Livre se denomina uma entidade apartidária e tem como objetivo mobilizar cidadãos em favor de uma sociedade mais livre, justa e próspera. Nos protestos deste final de semana, o MBL também busca o impeachment da presidente Dilma Rousseff, embora sejam considerados menos radicais que os Revoltados Online. Além disso, eles querem “defender a liberdade de imprensa, eleições livres e idôneas, separação de poderes, liberdade econômica e o fim da corrupção e dos subsídios direitos e indiretos a ditaduras”.

    O Brasil Livre tem nas redes sociais mais de 8 mil seguidores, aproximadamente 170 mil curtidas e possui como líderes Kim Kataguiri, Fernando Holiday e Renan Santos. Todos são considerados celebridades virtuais e são constantemente vistos nos corredores na Câmara dos Deputados. Kataguiri, por exemplo, é considerado com um dos legítimos representantes da nova direita brasileira, tendo como parâmetro de conduta os deputados Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Eduardo Bolsonaro (PSC-SP).
    “Não somos de esquerda, nem de direita. Nós somos sociais liberais. A nossa análise é que o Brasil foi administrado por um consórcio de banqueiros, empreiteiras e um partido político”, afirma Renan Santos. “Esse modelo político econômico quebrou e a conta está sendo jogada na costa dos mais pobres”.

    Os três líderes do MBL eram universitários e largaram o curso superior alegando incompatibilidade com o ensino de esquerda. Kim estudava Economia; Holiday, filosofia e Santos, Direito. Agora, os três são autônomos. Kim é escritor e vive também com renda de palestras e vídeos de Youtube; Santos mantém um empreendimento próprio e Holiday ainda precisa de ajuda dos pais. “Mas é claro que vários dos nossos custos são bancados com doações, como passagens aéreas”, disse Santos sem revelar a identidade dos doadores. “Não recebemos apoio de partidos políticos. Nesse aspecto, eles têm sido bem éticos ao manter-se distância do nosso movimento”, complementa.

    Além disso, foi justamente o Movimento Brasil Livre o responsável pela realização de uma marcha entre as cidades de São Paulo e Brasília. A caminhada de 1,1 mil quilômetros começou em abril e terminou no final de maio. No caminho, algumas paradas “estratégicas” como no shopping Outlet Premium, em Brasília, principal ponto de compras de roupas de marcas famosas com preços mais acessíveis.

    Vem Pra Rua

    Já o Movimento Vem Pra Rua, que surgiu um mês antes das eleições de 2014, exige a investigação e o fim e dos esquemas de corrupção do PT. Eles afirmam que o impeachment, neste instante, é tido como desnecessário. Embora, vislumbrem a hipótese em caso de plena ingovernabilidade.

    Em suas páginas na internet, o grupo, foi fundado pelo empresário Rogerio Chequer, de 46 anos, cita frases criticando os gastos públicos. “O governo gasta mal, os políticos roubam e desviam quantias vultuosas de dinheiro, e a população que paga o pato? Não. A conta de todos esses anos chegou e ela não é nossa”.
    A pauta de reivindicação é mais centrada em aspectos pragmáticos, como a apuração da responsabilidade da presidente Dilma no atraso proposital de repasses de recursos públicos a bancos para o pagamento de benefícios sociais, as chamadas “pedaladas fiscais”. Eles também querem a intensificação das investigações da Operação Lava Jato e dão total apoio à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF).

    Mesmo mais alinhado à direita, o movimento Vem Pra Rua também se considera crítico ao ajuste fiscal proposto pelo governo federal. Usando as hashtags #LulaNuncaMais e #ForaCorruptos, o Vem Pra Rua, que tem 600 mil curtidas no Facebook, tem a expectativa de que o ex-presidente Lula e Dilma sejam responsabilizados por seus atos de gestão.

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