A arte mais sublime nem sempre está nos teatros ou nos espaços de grandes shows. Nem sempre teremos grandes estruturas para os grandes momentos. A arte semeada no cotidiano das cidades é a mais densa.  Tantas vezes o melhor palco é a rua. Mas, historicamente os bares e restaurantes têm sido locais de grandes revelações. Aqui na Paraíba ainda hoje é lembrado o antigo Travessia e seus projetos culturais coordenados pelo querido e saudoso poeta Lucio Lins. O bar da Xoxota também marcou época. De lá para cá muitos outros palcos em bares consagraram artistas até mesmo nacionais, como foi o caso do Portal das Cores há coisa de dez ou quinze anos, quando trouxe nomes na época emergentes como Cássia Eller, Lenine e tantos outros. O Parahyba Café deixou saudades e consagrou amizades, amores e artes.

Atualmente a Paraíba inteira guarda seus recantos de qualidade, como o Café Centenário, em Patos. Uma casa que sempre traz música de muita qualidade para seus frequentadores. Em Campina Grande o famoso bar do Tenebra se tornou um local de grandes movimentações e apresentações, especialmente da galera roqueira. Há um verdadeiro movimento artístico aflorando em locais como o Espaço Mundo em João Pessoa, ou General Store. O Café da Usina tem uma agenda invejável que vai do Jazz à MPB, passando por lançamento de livros. Os turistas que visitam o paradisíaco Pontal do Cabo, em Cabo Branco, não raras vezes se surpreendem com noites memoráveis. Artistas jovens como Gabriela Grisi e mais experientes como Poty Lucena fazem a noite valer a pena.

Na ladeira da Borborema destacamos o atelier do Nai Gomes que abriga artes plásticas, literatura, música, teatro, oficinas e ainda sobra espaço para um trabalho social. A Vila do Porto consagra o samba principalmente e abre seu palco para que se firme cada vez mais a cena local. Em diversos bairros, muitas vezes somos surpreendidos pela qualidade da música e da arte apresentada. Claro que isso não é uma regra. Não se trata simplesmente de ter “música ao vivo”. Muitas vezes o fato de ter alguém com voz e violão não significa que a arte esteja presente. Não está. Em muitos locais é apenas um som e um couvert que não vale a pena. Mas esses espaços sempre se renovam. Agora, além do Empório, temos o Cabaré Brasil no baixo Tambaú, abrindo espaços para os que criam e discutem arte e cultura.

Esse movimento em João pessoa, principalmente, tem se firmado cada vez mais nos mais diversos bairros. Recentemente o restaurante Picuí Praia inaugurou um projeto cultural com o poeta Saulo Mendonça e apresenta música de qualidade para seus frequentadores. No Bancários o bar do Baiano é sempre uma festa e sempre reúne artistas consagrados na cena local. O Recanto da Cevada também se transformou num local de lançamentos e música de qualidade. A Budega Arte Café é um capítulo a parte. Firmou-se como um espaço de descobertas e consagrações, a exemplo de Nathalia Belar, Pedro Índio, Guga Limeira, Chico Limeira e tantos outros. O Chopp Time, mesmo com uma visão mais comercial, também abre espaços para a boa arte paraibana.

Mas, gostaria de dar um destaque muito especial para um artista desses espaços cotidianos que sempre surpreende pela simplicidade, pelo talento e profissionalismo. Encanta pelo acolhimento da sua voz e já me fez ver o inusitado. Recentemente vi os frequentadores da Canoa dos Camarões interrompendo o almoço várias vezes para aplaudir de forma entusiástica o grande artista paraibano Tony Leon (foto). Um cara que canta Beatles e Escurinho com a mesma magia. A presença de Tony Leon no palco dos bares é sinônimo de prazer estético garantido. Seja pela qualidade do repertório, seja pela magia e pela personalidade artística das suas interpretações. Isso tudo somente para dizer que a Paraíba tem uma cena cultural surpreendente em lugares que nem sempre merecem a atenção da grande mídia. Todavia, sugiro que o público esteja atento. Grandes espetáculos estão sendo oferecidos em lugares pequenos.

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