Jogos Escolares se despedem de João Pessoa projetando o futuro do esporte brasileiro

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Jogos Escolares se despedem de João Pessoa projetando o futuro do esporte brasileiroInspirada pelo sucesso dos Jogos Olímpicos Rio 2016, a geração de 15 a 17 anos do esporte nacional despediu-se, neste final de semana, de João Pessoa, onde, por nove dias, participou dos Jogos Escolares da Juventude. De olho na inserção social através do esporte e na detecção de talentos, o Comitê Olímpico do Brasil (COB), organizador do evento, celebrou mais uma edição bem sucedida da maior competição esportiva escolar do país.

Muito mais do que um eventos meramente esportivo, os Jogos Escolares são a oportunidade de jovens de todo o país vivenciarem uma série de experiências que trazem consigo os valores positivos do esporte. Durante nove dias, mais de 3.600 estudantes de todo o país viveram na capital paraibana os seus próprios Jogos Olímpicos e, certamente levarão na bagagem, além de conquistas nas 13 modalidades em disputa, muitas histórias e aprendizados.

No último dia de competição, foram realizadas as disputas de medalhas nas modalidades coletivas, todas em três divisões, no masculino e feminino: basquete, futsal, handebol e vôlei. Outras nove modalidades individuais fazem parte do programa dos Jogos Escolares e se encerraram no domingo passado – atletismo, ciclismo, ginástica rítmica, judô, lutas, natação, tênis de mesa, vôlei de praia e xadrez.

“Estamos muito satisfeitos com a evolução dos Jogos Escolares da Juventude ao longo dos anos. Certamente ainda temos muito o que avançar, mas a cada edição estabelecemos novos padrões na organização, possibilitando a entrada de mais jovens neste processo de inclusão”, afirmou Edgar Hubner, diretor geral dos Jogos Escolares da Juventude e gerente geral de Juventude e Infraestrutura do COB.

“Em João Pessoa vimos talentos começarem a despontar no cenário esportivo nacional, mas o mais importante é dar oportunidade para um número cada vez maior de jovens se inserirem socialmente através do esporte”, completou Edgar.

Apesar de não ser o objetivo principal da competição, a cada ano novos nomes oriundos dos Jogos Escolares despontam para o esporte brasileiro. Um exemplo concreto da capacidade de identificação de talentos do evento são os 52 atletas com passagem pelos Jogos Escolares que estiveram entre os 465 atletas do Time Brasil no Rio 2016, entre eles Mayra Aguiar, Sarah Menezes, do judô, e Hugo Calderano, do tênis de mesa. Levando-se em consideração apenas as modalidades disputadas nos JEJ’s, esse número representa aproximadamente 23% da delegação verde e amarela nos Jogos do Rio.

Jogos Escolares se despedem de João Pessoa projetando o futuro do esporte brasileiroCom o início do novo ciclo olímpico, as atenções já se voltam para a formação das próximas delegações que representarão o Brasil em competições internacionais. Neste sentido, a geração escolar de 15 a 17 anos passa a entrar no radar do COB e das confederações para os Jogos Olímpicos da Juventude 2018, Pan-americanos Lima 2019 e Olímpicos Tóquio 2020.

Reconhecendo a vital importância dos Jogos Escolares na detecção de talentos, o novo diretor executivo do COB, Agberto Guimarães, veio a João Pessoa e acompanhou de perto o desempenho da nova geração do esporte nacional. “Os Jogos Escolares da Juventude são uma marca definitiva do COB em relação à detecção de talentos. É, sem dúvida nenhuma, um dos maiores, se não o maior evento escolar do mundo, onde temos a oportunidade de avaliar verdadeiramente os talentos que surgem nas escolas pelo Brasil afora”, declarou Agberto, quarto colocado nos 800m dos Jogos Olímpicos Moscou 1980.

“A gente não consegue fazer alto rendimento sem ter uma base muito bem consolidada. Os Jogos Escolares nos dão a oportunidade de fazer exatamente isso, de garimpar os novos talentos nas escolas. A gente detecta os talentos aqui nesse evento e temos como aproveitá-los melhor. Ou  seja, temos um produto espetacular nas mãos”, completou.

Para incentivar a revelação de valores, o COB e as Confederações Brasileiras Olímpicas montaram uma verdadeira rede de detecção de talentos através dos Jogos Escolares. Todos os anos, as entidades enviam observadores para os Jogos com o objetivo de detectar os talentos e levá-los aos seus programas.

Figura carimbada em todas as edições do evento, o treinador da seleção brasileira feminina adulta, o dinamarquês Morten Soubak já pinçou uma série de jogadoras para períodos de treinamento entre as melhores do Brasil. “Os campeonatos aqui são sempre muito bem disputados, com jogadoras de qualidade. Infelizmente temos poucos clubes no Brasil para absorver tamanha qualidade. Não há duvida nenhuma que algumas jogadoras vão sair daqui direto para a Seleção Brasileira Juvenil e para a Seleção Adulta”, afirmou o dinamarquês.

A entrada das cinco novas modalidades (beisebol, caratê, escalada, skate e surfe) no Programa Olímpico pode trazer mudanças também nos Jogos Escolares da Juventude. “Os novos esportes olímpicos estão passando por um processo de regularização das suas confederações junto ao COB para receber os recursos da Lei Agnelo/Piva. Nas categorias de base, o que está sendo conversado é a possibilidade do skate de fazer parte do programa dos Jogos Escolares, uma vez que a modalidade está muito presente nas escolas brasileiras e a chance de medalhas olímpicas para o Brasil é grande”, declarou Edgar.

Em João Pessoa, uma seleção de craques do esporte olímpicos atuaram como embaixadores, com o objetivo de transmitirem suas experiências e inspirarem os jovens atletas. Os campeões olímpicos Rafaela Silva, do judô, e Giba, do vôlei, estiveram no seleto grupo de 12 atletas consagrados convidados pelo COB para serem Embaixadores dos Jogos, e levaram os estudantes ao delírio por onde passavam.

A função dos embaixadores é levar o exemplo positivo da prática esportiva para os jovens participantes, através do contato direto, palestras e atividades educativas. A escalação dos embaixadores para a etapa de 15 a 17 anos dos JEJs trouxe diversos medalhistas olímpicos, mundiais e pan-americanos: Fabiana Murer (atletismo), Janeth Arcain (basquete), Gideoni Monteiro (ciclismo), Lenisio Teixeira (futsal), Natalia Gaudio (ginástica rítmica), Dara (handebol), Gilda Oliveira (lutas), Graciele Herrmann (natação), Mariany Nonaka (tênis de mesa), e Ricardo (vôlei de praia).

“O futuro do esporte brasileiro está aqui em João Pessoa. É um prazer muito grande poder motivar todos esses jovens e contribuir de alguma forma para o crescimento do esporte brasileiro”, disse Fabiana Murer, campeã mundial em Daegu 2011 e medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos Rio 2007.

Diversos nomes se destacaram ao longo dos nove dias de competição. A nadadora paulista Ana Carolina Vieira se consagrou nos Jogos Escolares da Juventude João Pessoa 2016, para alunos-atletas de 15 a 17 anos. Atleta do Colégio Amorim Tatuapé, Ana Carolina conquistou seis medalhas de ouro na competição disputada na Vila Olímpica da Parahyba entre os dias 11 e 13 de novembro. Ela venceu os 50m, 100m e 200m livre além de ajudar a equipe paulista a conquistar a medalha de ouro nos três revezamentos: 4x50m livre, 4x50m medley misto e 4x50m medley.

Invicto nos Jogos Escolares desde 2013, Felipe Araújo de Santana, da luta olímpica do Amazonas, foi ouro mais uma vez em João Pessoa. Na ginástica rítmica, quem dominou o pódio foi a paranaense Barbara Godoy Domingos. Ela levou o ouro por equipes, no individual geral e nos três aparelhos que fizeram parte da competição: fita, bola e arco. Já o jovem ciclista Brendo Morais Santos se destacou em edições anteriores dos Jogos Escolares da Juventude defendendo Sergipe, seu estado de origem. O sucesso foi tanto que há oito meses ele foi morar no interior de São Paulo para treinar no Centro de Excelência da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC). Em João Pessoa, Brendo conquistou mais um título dos Jogos Escolares, dessa vez na prova de resistência.

Os números dos Jogos Escolares são grandiosos. Anualmente o evento contempla mais de 2 milhões de jovens nas seletivas municipais e estaduais, organizadas pelos estados e municípios, representando 40 mil escolas de quase 4 mil cidades do Brasil. Ao todo, mais de 5.400 pessoas estiveram envolvidas no evento nacional em João Pessoa, entre atletas, treinadores, oficiais, médicos, voluntários e organizadores.

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