Luizinho Barbosa, um professor que faz da cultura um instrumento pedagógico

A pedagogia do afeto




Escrever é um ato posterior à leitura. Portanto, afirma a importância de um aprendizado que começa na identificação dos códigos da leitura. Em cada processo de incentivo à escrita criativa a leitura se faz presente de forma acentuada. Especialmente a leitura literária. Temos consciência do que representa esta relação criativa no desenvolvimento geral da criança e do adolescente. Lacunas que não serão jamais preenchidas em outros momentos da vida. É o conhecido “aqui e agora” da Educação. Portanto, se trata de uma ação que transcende a sala de aula. Representa uma certa pedagogia do afeto. Um ato solidário do mestre para com seus alunos. Uma sedução para o conhecimento e para a expressão deste conhecimento. Um legado que um professor ou uma professora deixa para seus alunos. Uma marca em suas vidas.

A Escola de Ensino Fundamental e Médio Arruda Câmara, em Pombal-PB,  desenvolve esse projeto com seus alunos e alunas através do professor e produtor cultural Luizinho Barbosa. Luizinho é um cidadão que fez da sua própria vida uma escada de partilhas com a comunidade. Criou no seu quintal o único teatro da cidade de Pombal no Sertão da Paraíba. Reparte com seus alunos e alunas os saberes e os sabores da identidade cultural nordestina e paraibana. Ensina a ler livros, a escrever poemas, mas sobretudo ensina o caminho do reconhecimento dos Mestres da identidade cultural.  Ou seja: ensina a ler os livros, mas também ensina a ler o mundo. Segue, portanto as pegadas de Paulo Freire. Os resultados sempre são animadores. A escrita criativa e o contato com a Literatura são legados de humanização dos processos de ensino e aprendizagem.

Ele organizou uma publicação que será lançada em breve, com uma produção coletiva de jovens do ensino fundamental e médio. As temáticas são as mais variadas e o predomínio do verso livre nos mostra que as portas e as influências do Modernismo estão abertas na terra de Leandro Gomes de Barros, o Príncipe dos Poetas, segundo Drummond. O deslumbramento com o mundo, as descobertas amorosas, os desejos de uma vida mais justa, a celebração da amizade. A relação da juventude com a necessidade de expressar sentimentos são as temáticas predominantes. No entanto, a relação com a natureza, o sentimento de responsabilidade com o planeta também está presente.  Tudo cabe no impulso criativo desses jovens poetas e leitores. O Sertão enquanto inspiração temática não poderia deixar de mostrar a sua árida ternura.

Temos aqui, pois, uma pequena mostra de um trabalho que prossegue no cotidiano. Algo que vai impulsionando essas pequenas almas no voo incerto do futuro. No lugar que ainda irão chegar e que a pegada criativa da poesia, certamente, os fará acelerar o passo. O incentivo à escrita criativa é, sobretudo, o incentivo à leitura literária. E como disse o francês Roland Barthes, “a Literatura contém muitos saberes.”  Portanto, o que parece apenas uma publicação de jovens poetas, sobretudo, é um voo para o futuro. Uma guinada de superações e de prazeres infinitos no contato com o conhecimento.  Certamente que nem todos aqui serão escritores. Mas, certamente estamos diante de uma ação educativa para a cidadania.
Sobretudo um ato de amor em uma ação continuada.

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