007 Contra Spectre é exemplo da evolução e inovação da franquia

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    A nova sequência da franquia mais longeva e bem-sucedida do cinema veio com força total. 007 Contra Spectre é mais um exemplo notável de como a série de filmes iniciada em 1962 conseguiu evoluir e renovar a linguagem, dialogando com o público contemporâneo, sendo esteticamente arrojada, mas ainda mantendo os elementos clássicos que cristalizaram sua “assinatura” cinematográfica.

    A sequência inicial do filme já prenuncia o que se pode esperar dele: cenas eletrizantes de uma perseguição da Cidade do México, feitas utilizando o recurso do (falso)plano-sequência, com direito a acrobacias aéreas e luta desenfreada, tendo a paisagem histórica da capital mexicana como pano de fundo junto a milhares de pessoas às ruas peculiarmente fantasiadas, celebrando o Dia dos Mortos, tradicional festejo do México.

    A ação já prende e extasia logo de cara, fazendo com que se entre na atmosfera bondiana de suspense, adrenalina e um certo tom de elegância gráfica. Antes dela, o spot clássico da abertura do cano de arma-olho, com a trilha clássica dos filmes, volta a abrir uma produção da série: identidade simbólica e inovação se intersectam.

    Seguida à apoteose das cenas da perseguição do início, temos uma espécie de videoclipe-alegoria, onde o enredo do filme aparece metaforizado com caracteres conexos a várias representações e matizes simbólicos da série enquanto aparecem os créditos da produção, tudo ao som de Writing’s On The Wall, na voz marcante e hiperafinada do cantor britânico Sam Smith, que substitui a conterrânea Adele como intérprete da música-tema do novo 007.

    James Bond volta para enfrentar seus fantasmas, suas histórias inacabadas e mal resolvidas, seus dramas pessoais e tragédias. Nesse contexto, a metáfora “Spectre”, embora muito obvia e “mastigada”, se encaixa bem. Vemos um 007 humanizado como talvez nunca antes, em busca de um eixo, algo que justifique sua existência como homem, como figura humana e não apenas o agente secreto – ocorre que as duas personas parecem perenemente imbrincadas.

    As incursões amorosas seguem um ponto alto, com a italiana Monica Belluci em uma participação destacável. Mas a Bond Girl deste filme é uma figura bem menos femme fatale e muito mais mulher de verdade – e ainda assim notavelmente bela e sensual: a francesa Léa Seydoux, que ficou conhecida pelo polêmico Azul é a Cor Mais Quente (2013). Léa está esplêndida em cena, no tom exato, e faz da sua personagem um dos pontos altos da nova produção da franquia.

    A Ralph Fiennes coube a difícil missão de substituir Judi Dench na função de M, chefe de 007. Ele cumpre bem essa missão apesar de que, no coração dos fãs da série, Lady Dench sempre será uma figura insubstituível. O roteiro é bem-amarrado e a direção de Sam Mendes muita segura e competente. A montagem é ágil e precisa, costurando de forma fluida e competente os vários eventos e ações apresentados na película.

    Aqui não há os elementos inovadores de Operação Skyfall (2012), um filme de transição, tampouco a mesma densidade dramática. O vilão do Christoph Waltz é uma clara referência a uma série de arquétipos de vilões anteriores da franquia, Goldfinger, mas destacadamente. Está bem, mas sem grande diferencial. Tem, entretanto, uma performance convincente e apropriada a premissa desse filme.

    Spectre é uma espécie de volta as origens permeada de referências e autoreferências. Não surpreende em quase nada, alguns desfechos são bem previsíveis, com direito a uma sequência de luta entre um espião do bem e um outro traidor da causa em meio a um abismo de altura (advinha quem cai?). É um prato-feito com todos os ingredientes clássicos repaginados numa estética e narrativa contemporâneas, porém deveras saboroso.

    O filme prende o espectador, diverte, gera expectativa e empatia pelos protagonistas – assim mesmo, no plural, porque a Bond Girl da Léa realmente é muito expressiva – e até chega a emocionar, de certo modo. Um blockbuster de ação daqueles que vale apena ver no cinema, de preferência numa tela IMAX, que te arrebata, te instiga e te entretém. Cumpre bem sua proposta.

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